A mãe sou eu

Este depoimento faz parte do capítulo “Histórias de quem viveu – Os primeiros dias em casa” do livro “Da gravidez à amamentação”, da editora Integrare.

Autora: Aline Melo de Aguiar

Chegamos à nossa casa na manhã de segunda-feira. O bebê no meu colo, pai e avós paternos acompanhando – morávamos juntos nessa época. A casa arrumada, comida pronta e nossa secretária do lar feliz da vida pela chegada do novo bebê à família. Pode-se dizer que a estrutura da casa e da família era perfeita! Mas a cabeça da recém-mãe, de apenas 18 anos, com mil e uma questões, entre elas: o banho. Como fazer isso com um bebê tão mole e pequeno, além dos pontos da cesárea impedindo alguns movimentos?

A sogra, uma senhora que havia parido seis de parto normal, apenas espreitava, mas estava ali, presente de corpo e alma. Sábia e experiente permitiu que eu pudesse, aos poucos, me apropriar do meu bebê e de mim mesma como mãe. E foi na hora do primeiro banho – naquela hora em que eu estava com muito medo – que ela foi fundamental para, subliminarmente, me dizer: vai, você pode ser mãe dessa criança.

Pedi que ela desse o primeiro banho, ela arrumou a banheira, a roupinha e todos os apetrechos necessários. Eu apenas observava, estava muito assustada. Depois, ela pegou o bebê, o despiu e colocou na água. Naquele momento ela me olhou e eu disse: Pode deixar, já sei dar banho. Passei a minha mão por baixo da dela e assumi o banho. Ela se afastou lentamente, sem nada dizer, mas ali, naquele momento, dizia tudo: dizia que eu podia cuidar da minha filha e que se eu precisasse ela estaria lá para me apoiar incondicionalmente. E é assim até hoje: 20 anos depois! Obrigada! Obrigada pelo respeito e pelo apoio!

Aline, psicóloga, 39 anos, mãe da Luiza, 20 anos e da Clara, 17 anos