Aspectos psicossociais da maternidade e da paternidade

Resumo da palestra proferida no Curso para Gestantes da Caixa de Assistência dos Advogados do Estado do Rio de Janeiro – CAARJ

Aline Melo de Aguiar

A maternidade e a paternidade integram o processo de construção psicossocial do novo papel que o casal irá desempenhar quando espera um filho. A maternidade não vem pronta para as mulheres, não é puramente instintiva/biológica, ela irá se incorporar, aos poucos, na personalidade da mulher, readaptando seu modo de ver e perceber a vida. O mesmo acontece com o homem no processo de tornar-se pai. Ou seja, sentir-se mãe e pai desse filho que está chegando é um processo que vai sendo construído aos poucos.

Durante a gestação, é comum o surgimento de sentimentos conflituosos ou ambíguos, como, por exemplo, em um momento desejar muito a criança e, logo depois, se questionar se esse é o momento mais adequado para ter um filho. São sentimentos que, à primeira vista, parecem incompatíveis com o que se espera do papel de mãe/pai. Os sentimentos de culpa e de insegurança são comuns.

É importante que o casal saiba que esta gangorra emocional faz parte do processo psicológico do ciclo gravídico-puerperal. E que, embora crie angústia e, em alguns casos, até mesmo uma sensação de paralisia, a maternidade e a paternidade se concretizarão e a presença do bebê irá auxiliar os pais na superação desses sentimentos.

Desse modo, a palestra “Aspectos psicossociais da maternidade e da paternidade” pretende refletir e discutir a importância da compreensão da maternidade e da paternidade como um processo dinâmico e que envolve adaptações em diversas áreas da vida do casal, sejam emocionais, sociais ou biológicas.

Aline Melo-de-Aguiar
(psicóloga, especialista em atenção integral à saúde materno-infantil (UFRJ), mestre e doutoranda em psicologia social (UERJ), coordenadora de grupos de gestantes e grupos de mães – presenciais e virtuais.)