Espaço da mamãe 2

Revendo convicções de mães e orientadores

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Lindo relato de Natty Fraga, mãe do Caio, sobre o pós-parto.

Conflitos em relação à amamentação e ao uso da chupeta retratam a dificuldade de apoderar-se das decisões, muitas vezes ampliada por má orientação ou preconceitos.

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Revendo convicções de mães e orientadores

Hoje o Caio está com 1 mês e 14 dias. Ele nasceu com 3.040Kg e com uma grande ferida na mão esquerda de tanto chupá-la ainda dentro da minha barriga. Depois de nascido ele continuou chupando a mão ferida, mesmo depois de mamar, e com isso a ferida não regredia. Foi quando eu cedi e opetei por liberar a chupeta. Foi logo nos primeiros dias que uma das minhas primeiras convicções foi por água abaixo. Ferida vs. Chupeta… a chupeta ganhou.

Eu estava amamentando normalmente com livre demanda até que na primeira visita ao Pediatra soube que o Caio tinha perdido muito peso. A pediatra recomendou que eu amamentasse LD (livre demanda), com os dois seios e só depois dos dois seios estarem vazios dar 30 ml de complemento no copinho e se minha produção de leite tivesse aumentado ele recusaria o complemento por estar satisfeito. Segunda convicção abalada.

Minha vontade de manter a amamentação exclusiva podia afetar o desenvolvimento do meu bebê, então assim eu fiz, ou pelo menos quase assim. Como dar o complemento no copinho era uma luta, passei a dar na mamadeira própria para RN da Avent com bico especial. Com o passar dos dias ele passou a ficar cada vez menos mamando no seio e ficava bastante irritado. Segui a recomendação das amigas e fui no Instituto Fernandes Figueira.

A enfermeira que me atendeu me deixou deprimida. Falou que meu filho estava desmamando e a culpa era minha que dava chupeta e mamadeira. Era pra tirar ambos! Disse também que talvez nem fosse necessário dar complemento, que meu seio não era transparente pra eu ver se tinha pouco ou muito leite e que eu deveria insistir em dar o peito sempre que ele chorasse que ele esqueceria da chupeta. Quanto ao complemento, se necessário fosse, ela recomendou o uso da sonda (relactação).

Pois bem, eu quase enlouqueci com o corte xiita de chupeta e da mamadeira ao mesmo tempo. Na verdade, a sonda funcionou bem então a mamadeira em si não foi o problema, a chupeta é que foi fogo. Passei o dia todo com ele se debatendo e chorando muito toda vez que eu dava peito quando ele já estava saciado. Ele não dormiu o dia todo e ficou bastante irritado. No fim do dia, para minha sanidade mental, devolvi a chupeta. Ele dormiu super relaxado em menos de 2 minutos.

Na semana seguinte voltei ao IFF (Instituto Fernandes Figueira) insegura e com vergonha por não ter conseguido seguir a recomendação de tirar a chupeta. Fui atendida por uma pediatra que fez toda a diferença pra mim. Primeiro ela viu que o Caio começou a recuperar o peso e, ao saber que estava dando complemento, falou que era pra manter porque o ganho foi bom mas dentro do esperado e o complemento que ajudou esse resultado. Segunda coisa ela notou que eu tenho mamilo invertido e pediu pra analisar a amamentação. Ela ficou muito surpresa com a boa “péga” do Caio e da minha força de vontade de amamentar. Contei como foi difícil nas primeiras semanas, que até eu e o Caio aprendermos a maneira certa feriu muito, sangrava demais, eu dava mama chorando mas segurava a peteca e insistia.

Ela ficou tão orgulhosa de mim que perguntou se podia chamar algumas enfermeira pra me dar como exemplo, porque algumas delas não acreditava ser possível amamentar com mamilo invertido. Nem preciso dizer que aceitei e fiquei toda vaidosa! Entrei lá pronta pra ouvir duras críticas e veio só elogio! Bom demais!!! Ela também me disse que tem crianças com necessidade de sucção maior que outras e que parecia ser o caso do Caio, então até os 5-6 meses uma chupetinha ortodôntica não era um problema.

Desde esse dia minha produção de leite aumentou muito, mesmo com a chupeta! Ainda estou dando complemento, mas ele não está mais sendo necessário em todas as mamadas. Em média estou dando umas 3x ao dia, a tarde, a noite e na madrugada.

O Caio nasceu de parto cesárea com 40 semanas, foi a minha opção. No geral o Caio é uma criança esperta mas bastante calma. Praticamente só chora forte quando está com a fralda muito cheia de xixi ou com fome e tem um choro mais brando pra as outras coisas – não chorou nem nas vacinas. Ele tem os olhos muito vívidos e acompanha o movimento da sua casa, olha pra quem o chama, já estica os bracinhos pra brincar com o móbile e está começando a firmar o pescocinho. Fora que é lindo, cheiroso e muito amado!

Enfim, isso tudo é pra dizer que as pessoas que criticam as decisões da mãe, desde o tipo de parto que optou, a necessidade do uso de fórmula como complemento ao invés de amamentação exclusiva, o uso da cupeta, uso de cinta, cama compartilhada, uso do método montessoriano ou qualquer outra crítica podem estar prestando um deserviço ao invés de contribuindo com a mãe e com o bebê. Apoio, suporte e instrução (de forma respeitosa) é tudo que precisamos nesse momento de tantas descobertas.

E sim, eu e Caio estamos com bastante sintonia, ambos com saúde e se desenvolvendo muito bem – ele como bebê e eu como mãe – mesmo que as nossas escolhas não tenham sido as que vocês fariam. Espero que vocês fiquem felizes por nós estarmos bem e felizes!

Autora: Natty Fraga, mãe do Caio
Rio de Janeiro, agosto de 2013

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