Ética em xeque!

O caso dos estudantes de Medicina do Espírito Santo não é mais um caso isolado. Nova foto surge, desta vez de estudantes de Santa Catarina, em pose similar. Algo que não se espera de ninguém, muito menos de pessoas que escolheram a área de saúde para dedicar suas vidas profissionais e, principalmente, que optaram por trabalhar com o público feminino. Esse comportamento, definitivamente, não pode ser visto como uma brincadeira.

O que mais assusta, em relação aos estudantes de Vila Velha, é que a foto que foi parar nas redes sociais e gerou uma onda de inconformismo, foi tirada ao final da seção de fotografias realizadas para formatura da turma. Como se sabe, o último protocolo nas formaturas é o Juramento, que nada mais é do que a leitura, em voz alta, dos códigos de ética da profissão à qual o aluno se dedicará.

Como, em ambos os casos, os retratados eram ainda estudantes, o Conselho Regional de Medicina disse não poder tomar nenhuma medida punitiva. Já as duas instituições de ensino afirmaram que tomarão medidas cabíveis, sem revelar, no entanto, quais. Torna-se nítida a existência de uma lacuna, entre a escolha de um curso e a formatura, onde, aparentemente, a ética não precisa existir.

Que olhar esses estudantes – que demostram, sem o menor constrangimento, uma visão machista e a incompreensão do feminismo – irão oferecer? Infelizmente, essa é uma resposta conhecida por muitas mulheres que, por infelicidade, foram ou serão atendidas por profissionais que pensam como eles. Tememos que sejam mais atendimentos abusivos, traumáticos e de violência contra as mulheres!

A mesma internet que serviu a esses estudantes para exibir, como uma piada, os seus desvios de conduta, no entanto, serve para que eles sejam denunciados. E serve também para que mais e mais mulheres exponham as experiências negativas pelas quais passaram, exigindo não somente a responsabilização e punição dos culpados, mas melhorias nos sistemas de ensino e de regulamentação profissional.

Talvez o Conselho Regional de Medicina não exerça poderes sobre os estudantes, mas pode pronunciar-se sobre como atuaria caso os denunciados fossem profissionais, instruindo as instituições de ensino. Esperamos, sobretudo, que essas duas instâncias, junto a outras, como os conselhos de Obstetrícia – que hoje, dia 12/04/2017, comemora o seu dia – e o de Ginecologia debatam ainda mais sobre as questões de gênero, em âmbito acadêmico e profissional, e sobre ética, como algo que signifique mais do que um juramento!

A equipe do Espaço AMA, que trabalha com a promoção da saúde e do bem-estar, atendendo a mulheres no ciclo gravídico-puerperal, repudia esse tipo de conduta. Nós, que temos os médicos como parceiros – principalmente os obstetras –, esperamos que este tipo de conduta desapareça do universo da Saúde. Enquanto tivermos estudantes/profissionais que publicam este tipo de imagem e agem com seus #pintosnervosos, não temos chance de uma assistência responsável, respeitosa, competente e ética!