Existem brinquedos para meninas e brinquedos para meninos?

Parece batido o tema, pelo grande número de matérias e debates já divulgados. Só que não… Nas lojas e no comportamento dos pais, poucas transformações se registram. Rosinha permanece sendo cor de roupinha de menina e azul cor de parede de quarto de menino! Em relação a bonecas e carrinhos, então, nem se fala!

Então, ao invés de irmos mais longe, refletindo, por exemplo, sobre a necessidade de se dar tantos e tão caros brinquedos e acessórios aos nossos filhos, a pretexto de “oferecer o que há de melhor para eles” ou de “compensar nossas possíveis ausências”, geradas pelos nossos compromissos diários, continuamos debatendo sobre o que pode e o que não pode.

Uma matéria sobre essa questão, intitulada “Não existe brinquedo de menino e de menina”, que foi publicada no Guia do Bebê UOL, me chamou a atenção (http://guiadobebe.uol.com.br/nao-existe-brinquedo-de-menino-ou-menina/).  Não pela sua profundidade, pois é bem fraquinha, e tampouco pelo seu alcance, pois somente cinco leitores deram-se ao trabalho de comenta-la. Foram exatamente os comentários de quatro desses cinco leitores que me surpreenderam:

  • Daqui a pouco estarão vestindo os meninos de rosa e vestidos, tudo na ânsia de mostrar que não são preconceituosos!
  • Ridículos!
  • Quanta asneira!
  • Não mete essa!

Embora venha de longe essa tradição de separar brinquedos de um e brinquedos de outro, trazendo a reboque ideias ultrapassadas, quais criar mulheres para serem mães e donas de casa e homens para serem livres, leves e soltos, antigamente se brincava muito mais com o nada. Tinham crianças e tinha uma corda, virava brincadeira; tinha uma calçada e um giz, virava brincadeira; pedaços de pau e bolinha, disposição e área aberta para correr, caixinhas, latinhas, enfim…

Ideias sexistas, interesses comerciais, tanta coisa há envolvida em torno de brinquedos, enxovais, decoração de quartos e mesmo sobre as melhores formas para se criar meninos e meninas. Mas por vezes, muito mais importante do com o que se brinca, é o do que se brinca, quando se brinca, com quem se brinca. Tem que existir espaço também para o nosso interesse e o interesse dos nosso filhos!

Mesmo porque, talvez o futuro já esteja providenciando uma solução para essa questão de brinquedos femininos e masculinos. O exemplo é antigo, mas ilustra bem uma mudança que vem se consolidando. Quando Xuxa tentou emplacar laptops rosinhas para menininhas e azuis para os meninos, ela fracassou. Pois, em relação à tecnologia da informática, uma adaptação ou outra foi aceita para prover segurança ao uso de aparelhos por crianças, mas não para distinguir aparelhos para uso de meninas e de meninos!

Hoje, desde o berço, o principal brinquedo das crianças vem sendo os celulares e tablets, desses bem impessoais, que sequer são para crianças, são os próprios aparelhos dos pais… Dissipando, sem a necessidade de nenhum debate, essa questão!