O trabalho de parto

Autora: Aline Melo de Aguiar

Sintomas/sinais

O trabalho de parto tem início com um ou mais dos sinais abaixo:

• A eliminação de uma secreção espessa com filetes de sangue ou não. Este é o tampão mucoso e é um indicativo de que o parto está perto, não necessariamente o neném nascerá no mesmo dia.

• As primeiras contrações (a barriga se contrai e podem surgir “fisgadas” na região lombar e na parte interna das coxas). A gestante deve observar o intervalo entre as contrações. Quando houverem 2 contrações a cada 10 minutos o trabalho de parto está pleno e é hora de ir para maternidade.

• O rompimento da membrana que sustenta o líquido amniótico (a “bolsa d’água”). Em geral esse é o último sinal do trabalho de parto a acontecer. Nas novelas sempre aparece a gestante rompendo a bolsa d’água e correndo pra maternidade, cheia de dor e quase parindo. Lembre-se: Isso é apenas novela, o rompimento da bolsa não causa dor.

• Com o trabalho de parto tem início a dilatação do colo do útero, momento no qual o bebê já se prepara para sair.

Períodos do trabalho de parto

Os médicos definem o parto como uma seqüência de eventos pelos quais o útero expulsa o produto da concepção para a vagina, e desta para o mundo externo. O termo “parto” é reservado para a conclusão das gestações com mais de 20 semanas. O trabalho de parto prematuro é aquele que ocorre entre a 20ª e 37ª semanas. Já o parto a termo é o que ocorre entre a 37ª e 42ª semana. O parto que se inicia após a 42ª semana é dito pós-termo.

Em média, a duração do trabalho de parto é de 10 horas para as primíparas (mulheres que estão tendo o primeiro filho) e seis horas para as multíparas (a partir do segundo filho). Este período é dividido aproximadamente da seguinte forma:

  • Período de dilatação – 5 a 9 horas – trabalho de parto;
  • Período expulsivo – 30 minutos – o parto;
  • Período de dequitação – 10 minutos – expulsão da placenta;
  • 4º Período – primeiras horas do puerpério (pós-parto imediato).

Período de Dilatação

A dilatação do colo do útero inicia-se lentamente. A dilatação é expressa em centímetros e é medida pelo exame de toque, onde cada dedo equivale a aproximadamente 1,5 cm de dilatação. No início, a dilatação é de 2 cm, e deverá chegar a 10 cm para que ocorra o parto normal. Esta é o período mais demorado de um trabalho de parto. A dilatação ocorre em fases: fase latente, fase ativa, fase transacional.

Fase latente ou precoce

Esta fase costuma ser a mais longa, mas menos intensa, com a dilatação do colo do útero podendo atingir até três centímetros. Durante toda sua duração manifestam-se as contrações (30 a 45 segundos por contração), as quais podem ser regulares ou não.

Dores nas costas, cólicas semelhantes às da menstruação, sensação de calor no abdômen e eliminação do tampão mucoso ou rompimento da “bolsa d’água” são alguns dos sintomas apresentados pelas gestantes. Nesta hora, o melhor é relaxar, tomar um banho morno e anotar o intervalo entre as contrações.

Fase ativa

Esta fase é mais intensa, mais ativa e mais breve do que a primeira, podendo durar em média de duas a quatro horas. As contrações se tornam mais intensas, prolongadas e freqüentes. Elas podem durar de 40 a 60 segundos, com intervalos de três a quatro minutos (a média é de duas contrações a cada dez minutos); a dilatação do colo do útero pode chegar a sete centímetros. Os exercícios respiratórios e corporais podem ser feitos neste período.

Quando as contrações se tornarem mais fortes a parturiente pode sentir um bom alívio se relaxar através da respiração, continuar com banho morno e solicitar massagem na lombar. Uma boa dica é procurar uma posição gravitacional confortável, que permita a diminuição das contrações Experimente ficar de joelhos com os braços apoiados em uma cadeira. Esta posição permite a movimentação dos quadris e o descanso das pernas e da barriga. Outra posição importante, mas essa pra auxiliar o bebê a encaixar mais rápido é a posição de cócoras, pois permite que a articulação pélvica (da bacia) atinja uma maior abertura. Desta forma, a força da gravidade poderá atuar e as contrações terão maior energia no processo de expulsão do seu bebê.

Fase transacional

É a fase mais intensa do trabalho de parto. É o final da dilatação do colo do útero, estando o corpo quase totalmente preparado para o seu bebê nascer. A esta altura, a dilatação chega a 10 cm do colo.

As contrações podem durar de 60 a 90 segundos cada, com intervalos de dois a três minutos ou menos. Uma pressão involuntária, como se sentisse vontade de fazer força, como se quisesse evacuar, vai acontecer neste momento. Nesta fase, o fluxo de oxigênio é desviado do cérebro para a região do parto. Por isso, muitas mulheres relatam sonolência no trabalho de parto.

Período expulsivo

Este período começa quando a dilatação está completa e termina com a saída do feto. Nesta fase, os músculos da parede abdominal e o diafragma formam a prensa abdominal, que empurra o bebê para fora. Neste momento, a parturiente passa por um relaxamento e repouso clínico.

Para a expulsão do bebê, entram em jogo os chamados mecanismos do parto. A insinuação ou encaixamento do bebê ocorre próximo ao final da gestação. A cabeça insinua-se normalmente. A descida é progressiva, dependendo da força de contração uterina e da distensão do segmento inferior.

Neste momento, caso seja necessário, o médico fará a episiotomia, conhecida como “pique” ou “corte” — um procedimento cirúrgico que consiste em uma incisão vulvovaginal, médio-lateral, para ampliar o canal de parto. É realizado para evitar o dilaceramento ou a distensão excessiva da musculatura, do períneo e da vagina.

Depois que a cabeça do bebê rotacionar e sair, tudo fica mais fácil. É que a cabeça é a parte mais volumosa, e não é tão mole como o corpo, razão pela qual o restante do parto se processa de uma forma mais rápida e tranqüila.

O bebê vai nascer coberto pelo vernix ceseoso, pode vomitar um pouco de liquido amniótico e, se tudo estiver bem, chorará forte.

Período de dequitação

Apesar de o bebê já ter nascido, o corpo da mãe ainda continua no processo do parto, em uma fase bem mais simples e que não requer tanto esforço. É a fase da expulsão da placenta, ou dequitação.

Nesta fase o útero continua a se contrair para que a placenta se desprenda da parede uterina e seja eliminada do seu organismo. Após a saída da placenta, o médico vai proceder à sutura da episiotomia.

4º Período (pós-parto imediato)

Este período apresenta fenômenos de miotamponamento (o útero fica contraído parcialmente), trombotamponamento (fenômenos de coagulação), a fase de indiferença miouterina (cólicas do pós-parto) e estabilização do útero com o tônus aumentado.