Tolerância e respeito

A arte de saber viver!

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Texto de Fabrícia Kirmse, publicado na sua página pessoal do Facebook – Mãe de A a Z – sobre a guerra em defesa do parto normal.

Ela, que desejou e tentou o parto normal, acabou tendo o filho de cesária.

Apesar de ter sido acolhida por familiares e amigos, ela sente-se incomodada com a perseguição sofrida na internet por mulheres que tem os seus filhos através de cesária, por necessidade ou escolha própria – citando os casos das cantoras Sandy e Wanessa Camargo.

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Sandy, Wanessa e a lamentável intolerância humana

Tinha me prometido não entrar nesse assunto, porque acho realmente lamentável, mas vi tanta barbaridade na internet que decidi escrever algo sobre isso. Wanessa Camargo fez uma cesárea e, no segundo filho, conseguiu ter parto normal. Maravilhoso, não é? Também acho. Sou realmente defensora do PN, embora eu não tenha conseguido (desejei, tentei, mas não deu por motivos que nem vou enumerar aqui, não cabe).

Entre meus familiares e amigos, nunca me senti desrespeitada ou mal-compreendida por ter feito cesárea. Tudo certo. Estava feliz. E sou feliz. Arthur chegou e tornou minha vida muito melhor. Ponto. Isso é o que importa.

A questão é que tenho visto com cada vez mais frequência mulheres criarem verdadeiras guerras em defesa do parto normal, especialmente, nas redes sociais.

A Sandy fez cesárea. Não sei se foi escolha, se foi necessária, enfim, não sei. E nem poderia julgar, qualquer que fosse o motivo. Mas ela foi simplesmente bombardeada por algumas mães.

Algumas se disseram decepcionadas com a cantora, pasme: decepcionadas! Não sabemos as razões da irmã do Junior nem da Wanessa. Não estamos na vida e nos sentimentos delas. Suposições, na maioria das vezes, levam ao erro. Fato.

E, afinal, somos todas mulheres, cada uma com seus medos, ansiedades, prioridades, ideias e histórias de vida. Gerar um filho e trazê-lo ao mundo é uma experiência mágica e nos coloca em situações semelhantes, ainda que os caminhos sejam diferentes. Ninguém mais, ninguém menos.

Quando o bebê nasce, por cesárea ou normal, ficamos plenas e radiantes, mas, ao mesmo tempo, entramos numa fase cansativa, de inseguranças e de uma busca incessante por fazer o melhor por nossos filhos. Nisso, em boa parte das vezes, somos parecidas, sim, não há como negar. E é uma fase em que precisamos muito mais de acolhimento do que de críticas. Muito mais de amor do que de julgamentos. De generosidade do que de intolerâncias, independentemente da estrutura que temos para criar nossos filhos e de nossas condições sociais.

Somos todas humanas. Somos mulheres. Fico ainda mais pasma quando vejo doulas, que carregam uma linda missão que tem como premissa, a meu ver, o amor, sendo crueis, duras mesmo com mães que fazem cesárea. Tecem comentários maldosos, debochados, desnecessários em comunidades do FB. Triste de ver. E eu vi!!

Veja: defenda suas crenças mas não desrespeite seu próximo. Argumente a favor do que você acredita mas sem agredir ninguém. Compreenda, tolere, respeite. Só pode se fazer respeitado quem respeitar. Só terá algum poder de convencimento quem for sábio e sensato em suas argumentações, sem abrir mão da educação e da sobriedade.

O fato de eu acreditar que o parto normal seja a melhor escolha, ideal para mãe e bebê, não me dá o direito de ser intolerante com quem pensa diferente. Não me acho, sinceramente, no direito de julgar ninguém, ainda que eu tenha minhas verdades. Até porque cada caso é um caso, sabemos disso. E, ainda que a mãe simplesmente queira cesárea, por razões pessoais e não por questões de necessidade, quem sou eu para julgá-la? E por que deveria julgá-la?

O que é isso, gente? Vi manifestações odiosas no Face em relação à Sandy. Mesmo que não seja fã da menina, ela é humana como todas nós, com erros e acertos, dúvidas, medos, formas de pensar, enfim, traz sua própria bagagem de vida… não sabemos nada sobre ela intimamente, convenhamos. Sabemos o que lemos na mídia. Mas a mídia é sempre confiável?

Minha mãe dizia sabiamente que o coração dos outros é terra que ninguém anda. E essa é a senha para que eu tente, ao máximo, respeitar cada um como é, mesmo que eu discorde de algumas atitudes.

Volto a dizer: todos temos o direito de defender nossas crenças, dar opiniões, mas não temos (e não temos mesmo) o direito de ser cruel com quem pensa diferente de nós.

Abra o coração. Você aí, defensora ferrenha do PN que aponta seu dedo inquisidor para todas as mulheres que fizeram cesárea, olhe para si mesma também. Você é perfeita? Quem faz normal é melhor do que as demais? Por que seria? O parto normal coloca alguém acima do bem e do mal? Torna a mulher um ser superior e iluminado? Desculpe, mas, definitivamente, não.

Encarou um parto normal, teve essa chance (por motivos vários), escolheu e se preparou para isso (e deu certo, que bom), no entanto, todo o amor que dedicou a esse momento parece ter ficado ali, na hora do parto, porque você, que julga com tanta dureza, está se revelando incapaz de respeitar as diferenças entre as pessoas.

Escute, pense, seja capaz de se colocar no lugar do outro, pondere. Parabéns por sua escolha, parabéns por seu parto natural. É realmente lindo. Mas a maternidade (não importa a forma como o bebê vem ao mundo), que não se resume apenas a parir, deve nos tornar mais amorosas, nos fazer mais generosas e compreensivas. É assim que eu penso. Só posso acreditar que deve estar faltando amor em quem julga tanto com tamanha crueldade. Está faltando educação, generosidade, capacidade de entender e respeitar o outro.

Somos todas mulheres e mães. Pare de julgar! Não faz bem pra ninguém, muito menos pra você. Não concorda comigo, não concorda com a Sandy, não concorda com quem quer que seja? Pode opinar, claro. É um direito irrefutável. Mas, acima de tudo, respeite.

Autora: Fabrícia Kirmse
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