Vínculo é tudo!

Autora: Aline Melo de Aguiar

O conceito de Attachment Parenting ou Teoria da Vinculação, em português, também se baseia na Teoria do Apego, de John Bowlby, que já foi amplamente estudado pela Psicologia do Desenvolvimento. A ideia básica é a de que, com o estímulo ao vínculo afetivo entre pais e filhos, as necessidades básicas da criança sejam atendidas.

O bebê humano nasce completamente dependente de cuidados dos adultos e, por conta dessa característica da nossa espécie, os comportamentos que recrutam o adulto para estar próximo da criança foram sendo aprimorados e selecionados ao longo da evolução da espécie. Chorar, sugar, agarrar-se e sorrir, por exemplo, são atitudes que chamam a atenção de quem quer que esteja próximo a um bebê. Assim, podemos entender que uma criança quando chora tem uma necessidade e atendê-la significa promover o seu crescimento e desenvolvimento.

Certos comportamentos, comuns a nossos ancestrais ou nos grupos que seguem tradições mais antigas e até por outras espécies de mamíferos ao longo de toda a história, passaram a ser criticados pela sociedade moderna, mas são fundamentais para o reforço desse vínculo, que acalma tanto os pais, quanto os bebês. Compartilhar a cama, amamentar em livre demanda e oferecer colo sempre que a criança pede são alguns exemplos.

Cama compartilhada

Rosana Lopes (40 anos, mãe do Antônio, 11 meses) e o marido eram contra a ideia de dormir junto do bebê, mas depois que o filho nasceu “a vontade de ficar mais agarradinha com ele, inclusive na hora de dormir, foi aumentando, bem como o cansaço das noites mal dormidas”. Ela se sentia insegura, mas relutava: “até finalmente perceber que o que me deixava feliz era dormir com ele!”.

Por meio dos acontecimentos cotidianos, a formação de vínculos emocionais de confiança, empatia e afeto tornam-se fundamentais para a continuidade de nossa espécie. Amar uma criança e ser amado por ela é uma das relações afetivas essenciais que podemos desenvolver. É justamente nisso em que se foca a Teoria da Vinculação.

Assim, as necessidades de um bebê, como de ser alimentado, limpo e aquecido nos primeiros anos de vida, são tão importantes para o seu desenvolvimento quanto estar afetivamente próximo aos seus pais, em um ambiente amoroso, protetor e previsível nos contatos diários. Nielle Brasil (29 anos, mãe da Maria Luiza, 6 meses) faz cama compartilhada e conta que isso não atrapalhou em nada a relação com o marido. Pelo contrario. “Ter nossa filha sempre pertinho é tudo de bom!”, diz.

Não existe uma única forma de transmitir segurança a uma criança, tampouco há uma demanda única da parte delas. Para algumas famílias, dormir junto é um desses momentos de reforçar laços de confiança e de afeto. Já outras crianças dormem sozinhas, sem demandar tal atenção. No entanto, em algum momento ou atividade, existirá uma necessidade a ser atendida.

A sensação de segurança transmitida pelos pais a seus filhos é um dos aspectos que proporcionará à criança a confiança para explorar o ambiente e, também, para desenvolver laços emocionais saudáveis com outras pessoas ao longo da vida. Adaptando o velho ditado, “é de pequeno que se torce o pepino!”. Ou seja: é durante a infância que se aprende a confiar nas pessoas.

Mas como fazer isso? Como se faz pra a criança ter confiança, ser amada e se sentir segura? A resposta é: não existe resposta. Simplesmente crie a sua própria relação com o seu filho, sem seguir uma fórmula pronta! Desenvolva essa ligação, de acordo com seu contexto familiar, um laço que seja espontâneo e, sobretudo, que reflita o amor que você sente pelo pequeno que está em seus braços.

No site

www.attachmentparenting.org, há dicas interessantes a partir dos “Oito princípios da Criação com Apego”. Leia, mas adapte os conceitos de maneira que eles se encaixem em seu estilo pessoal e no dia a dia da sua família.

Cada criança é única e assim também são as relações mãe-bebê, pai-bebê, mãe-pai, pai-mãe-bebê-sogra… Ih, isso vai longe. O importante é não ter medo de errar. E se errar tentando acertar, que você saiba se perdoar e também perdoar quem divide as responsabilidades da criação do seu filho com você. Sobretudo, abra a sua mente.

Colo e peito, sempre

A grande questão para quem segue a Teoria da Vinculação, hoje, é enfrentar os mitos que ainda persistem em nosso meio sociocultural. É comum ouvir frases como, “dar colo acostuma mal”, “não pode dormir com os pais porque isso atrapalha o relacionamento do casal”, “deixa chorar que abre os pulmões”, “não dá peito toda hora porque vicia”, “não pode mamar depois de um ano porque cria dependência emocional”, entre tantos outros.

Camila Godinho (mãe da Clara, 1 ano e 1 mês) relata que recebeu muitos palpites e que procurava mudar de assunto quando era criticada por não deixar o bebê chorar, amamentando-o em livre demanda. “Hoje minha filha anda a casa toda, não para um minuto e eu penso: ainda bem que dei colo quando ela quis! Sobre deixar chorar, li a respeito da extinção de comportamento e não queria que minha filha entendesse que não adiantava chorar, que eu não apareceria. Pelo contrário: vi que bastava me ver ou ouvir minha voz para ela se acalmar. E, finalmente, tenho parte da minha noite nos braços do meu marido e parte agarradinha com a minha princesa, sentindo o cheirinho dela e ouvindo a sua respiração”.

Em resumo: siga seu coração e deixe-se envolver pelos encantos do seu filho. Aos poucos, você vai perceber que cuidar de uma criança dá trabalho sim, mas, também traz recompensas maravilhosas. Existe coisa melhor do que amar e ser amado? S desejamos um mundo melhor para nossos filhos, que possamos começar a praticar esse mundo melhor dentro das nossas próprias casas, exercitando o afeto, a confiança e a segurança!

Aline Oliveira (31 anos, mãe de Samuel, 4 meses e meio)

“Amamento sim, em livre demanda, e meu bebê há algum tempo dorme comigo e meu esposo na cama, desde que o mini berço ficou pequeno. Estou certa de que está sendo o melhor para o meu bebê e para a minha família, pois todos dormem melhor e eu acordo bem mais disposta para cuidar dele. Além disso, não considero nenhum impedimento para a vida do casal. Pelo contrário. Acho que a cama compartilhada faz bem para o marido, que chega à noite do trabalho e possui um tempo curto com o Samuel. Estou feliz com a aproximação que temos com o bebê. Já explico as coisas para ele e tenho certeza de que não terei problemas no futuro. Amo ser mãe e contrario qualquer regra para ficar pertinho dele. Só seguirei a regra de dar bastante amor, carinho e atenção.”

Vivian Jalkh (29 anos, mãe de Yasmin, 4 meses)

Não existe amor maior e mais verdadeiro do que o amor de uma mãe e não tem lógica não começar a expressar esse sentimento maravilhoso desde muito cedo. Iniciar o vínculo de amizade e carinho está nos pequenos atos. Sempre que me julgam afirmando que é preciso deixar o bebê chorando e não pegá-lo para não acostumar mal, respondo prontamente: “criança cresce tão rápido que, quando piscar os olhos, não poderei mais dar colo, então, porque não aproveitar agora?” Quando um adulto tem suas necessidades, ele gosta de atenção. Quando um bebê chora, porque não oferecer o mesmo e mostrar a ele que existe uma mãe ali para apoiá-lo? Porque se privar de ter contato com seu filho? Não tem lógica! Yasmin vive pendurada no meu peito e eu sempre ofereço várias vezes ao dia. Dou sempre que ela quer, seja para acalmá-la ou para alimentá-la. Ter contato é maravilhoso! O duro é que muitas pessoas não enxergam o bebê como um indivíduo e não o respeitam como deveriam.

Francielle Mattos (28 anos, mãe do Dante, 2 anos e meio)

Aqui em casa, nunca negamos colos ou mamadas no peito. Desde que nasceu, Dante ficava muito tempo no meu colo (e no do meu marido também), principalmente nas horas de choro. A maioria das vezes que ele chorava era devido a algum desconforto: fralda, fome, sono ou cólicas (ele teve muita cólica até os 6 meses). Só o fato de pegá-lo, já o acalmava. Depois, ele foi crescendo e começou a querer desbravar a casa sozinho. Então as sessões de colo foram diminuindo, por iniciativa dele. Ele queria conhecer a casa com os próprios olhos, mãos e boca (porque adorava saborear tudo!). Começou a andar com menos de 1 ano, parou de mamar no peito com 1 ano e 3 meses e trocamos o berço pela cama com 1 ano e meio. Tudo por iniciativa dele. Acho que todo o carinho oferecido com o pequeno gesto de tê-lo no colo nas horas de angústia mostrava que estávamos ali e, assim, ele ganhou confiança para fazer outras coisas.

Saiba mais sobre “Criação com Apego”. Consulte: www.attachmentparenting.org e www.paizinhovirgula.com